sexta-feira, 14 de março de 2008

Shame on me

Sou daquelas pessoas que, poucas vezes - felizmente, entra em litígio com a sua consciência. Hoje foi um desses dias, tive uma dessas lutas, foi complicado perdoar-me...
A história é demasiado simples e não é virgem para ninguém. Ao encaminhar-me para o carro deparei com o corpo de um gato estendido a uns 50 metros no meio da rua, ainda mexia... Por ele passavam carros que, delicadamente, se iam desviando sem parar... E o gato ali ficou, a morrer, a sofrer, a culpar-me por também nada ter feito.
Lembrei-me de uma outra vez em que passei por cima de um gato e ao olhar pelo retrovisor fiquei feliz por ele se ter levantado e corrido para fora da estrada que atravessara inadvertidamente.
A minha viagem foi feita com "auto-insultos" e "auto-convencimentos"... Quando regressei à mesma rua duas horas depois, o gato lá estava... sem vida. Desviei o carro com delicadeza e voltei a insultar-me, certo porém, que nada poderia ter feito além de tentar fazer.
(o gato não se salvaria dada a forma como se apresentava e o mexer já nada tinha a ver com vida)

11 comentários:

liamaral disse...

O facto de andar na rua todo o dia, faz com que me depare com situações destas inumeras vezes!! Além de ficar doente por dentro, fico sempre com esse sentimento! Poderia ter feito mais! Mata-me por dentro que as pessoas passem ao lado sem sequer se preocuparem em o colocar mais para o lado! Mas algumas pesoas eu consigo compreender, tal como eu não têm coragem para ver e tocar a morte tão de perto! Shame on me too!! Desculpem mas continuo a ter mais pena dos animais do que das pessoas atropeladas!!

liamaral disse...

Deixaste-me com as lágrimas nos olhos...

Sunshine Jana disse...

Essa situação recorda-me uma vivida por mim...no verão passado circulava numa E.N. vinda da praia ao fim do dia, e de repente vejo que o transito está caótico,...enfim venho a descobrir que atropelaram um cãozito que ainda estava no meio da estrada...tinha uma perna partida e tentava arrastar-se para o passeio mas não conseguia...respirei fundo, atravessei o carro na estrada, liguei os piscas e tirei a minha toalha da praia, pedi ajuda a um senhor para apanhá-lo sem o aleijar muito e colocá-lo no passeio...entretanto o veterinário já tinha sido chamado,...ainda bem que há histórias que acabam bem.
No entanto sei perfeitamente como é sentir esse dilema da nossa consciência...mas olha, enquanto o ser dito humano conseguir fazer mal aos da sua própria especíe, o que não conseguirá fazer aos das outras?!

Querubina disse...

Realmente uma historia triste, e que infelizmente acontece diariamente com quase todos nos.
O importante e tentarmos não voltar a cometer o mesmo erro.
Bom fim de semana.

Beijufas de Luz!!

Olá!! disse...

Acontece FM, na vida nem sempre fazemos tudo como deveria ser...
Vamos animar... ok???
O meu primeiro carro foi um 2cv, que como todos sabem é resistente em tudo menos na chapa.
Um dia vieram contra mim, sim leram bem... eu sou boa condutora e alguém a quem saiu a carta no arroz cigala espetou-se contra o meu carro. Passados uns dias, ainda com o carro amassado, tive a infelicidade de atropelar um cão. Parei para o ajudar e o bicho mal me viu, pernas para que te quero, parece que tinha visto o diabo...
Para um transeunte e diz com ar admirado:
- Foi o cão que fez isso ao carro???
Não disse nada mas pensei "não foi um cão, parvalhão, foi uma besta..."

Mize disse...

Confesso: já fiz o mesmo. Que vergonha! Não volta a acontecer.
Aquelas desculpas do...estava conduzir, estava com pressa, não podia parrar naquela rotunda....
argumentos que podiam ser contornados com boa-vontade. Infelizmente não o fiz.
Cá está uma acção da quela me arrependo. Isto para quem diz que nunca fez nada na vida que se arrependa....bem eu, arrependo-me de tanta coisa...esta é uma delas

Manuela disse...

já aconteceu a todos, em diversas situações, com gatos, cães e mesmo quando vemos um acidente com pessoas, o normal é virar a cara, não por sermos "maus", mas porque é o instinto... ninguém gosta de se defrontar com a morte num perder de vida lento... porque é triste...
Mas apesar de virarmos a cara a nossa mente parece ter uma câmara fotografica e nós ficamos com a imagem retida horas, dias e outras vezes até para sempre.
Não te culpes, porque acontece aos humanos...

Espatódea disse...

Lembrei-me de um coelho que eu tinha quando pequena que apareceu morto debaixo da minha cama... traumatizei-me com coelhos, descobri mais tarde que sao muito sensíveis e que por isso mesmo morrem muito fácil.. acho que o amor é um coelho!

Maria Clarinda disse...

Como te entendo...eu sei que por vezes nada poderemos fazer, mas....existe sempre o mas para nos perturbar. Ainda bem que voltaste, viste que realmente nada poderias ter feito, ou poderias?
Jinhos mil

Livre disse...

Se há coisa que eu considero uma horrível falta de coragem é olhar para um ser vivo quase morto e não fazer nada para o ajudar, ignorá-lo, deixar que ele fique ali, sem ajuda, porque simplesmente temos pressa ou "nojo" de lhe tocar-mos!
O sentimento de culpa, acaba sempre por chegar, quando nos deparamos com uma situação pior, a morte do animal que nós podiamos ter ajudado!
Podia sempre haver hipóteses ... Se os cuidados necessários fossem tomados, havia sempre hipóteses de o gato sobreviver! ...

Shelyak disse...

Difícil, muito difícil mesmo.